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A Pergunta Última: Do Enraizamento Cósmico à Emergência Humana
Luís Inácio
Antropologia Filosófica Prof: Anselmo Borges 16 de Junho de 2006
A Pergunta Última: Do Enraizamento Cósmico à Emergência Humana Quando articulamos a pergunta “Quem é o Homem? / O Que é o Homem?”, objecto da disciplina de Antropologia Filosófica, fazemo-la com o intuito de lhe dar uma resposta, porém, esta tarefa não se torna assim tão simples, e na verdade, a sua resposta, torna-se num labor de proporções quase épicas, isto porque a Antropologia Filosófica é uma tarefa sem fim. Isto é bem explícito através do pequeno conto The Last Question (A Última Pergunta), de Issac Asimov, escritor de ficção científica do séc. XX. Asimov, escreve o primeiro parágrafo deste conto, de uma maneira algo profética: “A última pergunta foi feita pela primeira vez, em tom de brincadeira, no dia 21 de Maio de 2061, na altura em que a humanidade começou a dar os primeiros passos em direcção à luz.”. Se quisermos interpretar este primeiro parágrafo à luza da disciplina da Antropologia, poderíamos reflectir que a partir do momento em que o ser humano faz a pergunta, este fica equipado para uma viagem cujo caminho é de iluminação do seu ser, o de um olhar em reflexo para se compreender. Mas, para perceber melhor em que é que este conto nos pode ajudar a reflectir as noções correspondentes ao título deste ensaio, teremos de explicitar o conto de Asimov e perceber em que se baseia esta “última pergunta”. Ora, neste conto, a humanidade construiu um gigantesco computador, chamado Multivac, capaz de se desenvolver por iniciativa própria, criando computadores mais espertos do que ele, com o objectivo de ajudar a humanidade nos seus problemas pragmáticos e intelectuais da sua sobrevivência. É no início do conto, que é colocada a pergunta “É possível reverter a entropia?”1, à qual o Multivac responde “DADOS INSUFICIENTES PARA UMA RESPOSTA SIGNIFICATIVA”. Entretanto, e com a transição das eras, o computador torna-se tão grande em inteligência e em dimensão, que acaba por preencher todo o universo, passando a chamar-se Cosmic AC; e a pergunta, é pontualmente feita à medida que esta evolução se processa – do computador (de Multivac para Cosmic AC) e dos seres humanos (para seres com características quase divinas) –, obtendo sempre a mesma reposta. No final deste conto, quando os descendentes da humanidade são mentes livres capazes de viajar por todo o cosmo, estes decidem juntar-se ao Cosmic AC, que nesta altura existe no hiperespaço, fora do tempo e do espaço. A última mente antes de se fundir, olhando para a desolação do universo, pergunta pela última vez ao Cosmic AC “Será possível reverter esta desolação?”, à qual o computador continua incapaz de responder. Todavia, ele continua a ponderar a questão após a fusão – afinal todos os dados já tinham sido recolhidos. Eventualmente descobre a resposta, mas não tem ninguém, nenhum ser humano, a quem qual dá-la. Decide então, que a melhor maneira de dar a resposta é demonstrando-a, assim, implementa-a, criando de novo o universo. O conto termina com o Cosmic AC a sentenciar: “Haja Luz; e houve luz”.
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A entropia é o desperdício de calor sem a possibilidade de utilização. Está ligada à segunda lei da termodinâmica, onde
o total de entropia de qualquer sistema termodinâmico isolado tende a aumentar com o tempo, aproximando-se do valor máximo. Isto é, não é possível reverter o fumo que sai de um cigarro para ele próprio outra vez; ou, um outro exemplo, não é possível reverter as cinzas de um tronco queimado, para o mesmo tronco original (normalmente a 2ª lei da termodinâmica está associada à noção da flecha do tempo).
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Através deste conto podemos fazer uma analogia à pergunta que a Antropologia Filosófica faz, porque, tal como acontece no conto, quando nos questionamos “o que sou eu? Quem sou eu?” estamos a fazê-lo: primeiro, historicamente, isto é, comportando em si uma estrutura de narratividade. O ser humano não é ser humano só no momento em que pergunta, ele é ser humano porque tem algo antes, isto é, um passado estruturante; segundo, em constante procura. E em que é que se baseia esta procura? Baseia-se em dados, dados estes oferecidos por outras disciplinas; terceiro, antecipa uma eterna não-resposta ou o adiamento de uma resposta: por mais dados que o ser humano recolha, terá sempre algo futuro que recolher, em adição ao facto de ele próprio ser o objecto da questão que ele próprio pergunta; quarto, contextualizando o ser humano, cada ser humano em cada época, seja ela histórica, social, psicológica, da sua vida, faz a pergunta “Quem sou eu?”, e por consequência “Quem é o Homem?”. É um eu na sua circunstância. No fundo, é necessário entender que a pergunta só poderá ser feita por um este que está aqui e agora, que questiona o passado, recolhendo dados, para olhar para o futuro. Este situarse de maneira perguntante, pode ser simbolizada pelo título do quadro de Paul Gauguin, D'où venons nous? Que sommes nous? Où allons nous? (De onde viemos? O que somos? Para onde vamos?), de 1897-98. Que nos transmite que, para respondermos às perguntas essenciais, o homem tem de convocar todas as disciplinas, para construir a sua identidade narrativa. E esta identidade narrativa é feita de pluri-narratividades que se inserem num todo, entre as quais as que vamos tratar aqui, a narratividade cosmológica e evolutiva. Como escreve Edgar Morin (2003), citando Rodrigo de Zayas: “É possível, justamente, levar a humanidade até ao saber das suas próprias realidades complexas. Só a partir daí podemos enfrentar o desconhecido” (p. 14). A narrativa cósmica Platão distinguia “dois modos opostos de levantar a cabeça e olhar para o céu: o de quem vai espirrar e o de quem sabe o que religiosa e cosmologicamente é, para o homem, a abóbada celeste” (Entralgo, 2002, p.107). Ao olharmos para o céu nocturno e estrelado, temos um sentimento de deslumbramento, isto porque percebemos que fazemos parte desse grande Todo, embora nos situemos “como protagonistas tardios” (Morin, 2003, p.22). Sabemos que este Todo começou num evento chamado Big Bang, há cerca de 13.7 Ga2 (± 200 Ma)3 (Veneziano, 2004; Wright, 2005; “Age of the universe”, Wikipedia). Embora se especule sobre o início, sabemos que após a singularidade, e nos primeiros microsegundos, existiu uma mistura superdensa e ultraquente de partículas chamadas quarks e gluões, a precipitarem-se para cá e para lá, chocando uns com outros, naquilo a que se poderá
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Utilizarei neste artigo as notações: “Ga” de giga-annum, isto é, biliões de anos trás; “Ma”, de mega-annum, isto é, Esta idade depende do modelo proposto à medição. Neste caso foi através do projecto da NASA, Wilkinson Microwave
milhões de anos atrás; e, "ka" de kilo-annum, isto é, mil anos atrás.
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Anisotropy Probe (WMAP), que faz medições do fundo das microondas iniciais do universo, dando o valor (13.7 ± 0.2) × 109 anos (“Age of the universe”, Wikipedia). Outros métodos para analisar a idade do universo são utilizados: a idade dos elementos, baseado na decadência radioactiva, dando a estimativa de circa 14.5 Ga; a datação radioactiva de uma estrela velha, com a estimativa de cerca de 5.6 ± 4.6 Ga; a idade de velhos aglomerados de estrelas, com cerca de 11.5 ±1.3 Ga; e, a idade de velhas estrelas anãs brancas, com cerca de 12.8 ± 1.1 Ga. (cf. Wright, 2005).
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chamar o líquido perfeito, que não possui qualquer viscosidade, a uma temperatura 100,000 vezes mais quente que o Sol (Riordan & Zajc, 2006). Daí passaram a hadrões. De hadrões para protões e neutrões; e estes formam o núcleo de qualquer átomo. No fundo, todas as coisas, a formação de todas as estruturas do universo, desde galáxias a planetas, formas de vida até este papel, não existiriam se, partindo de um quente big bang, o universo não tivesse expandido e arrefecido (Lineweaver & Davis, 2005). “ [A] expansão e arrefecimento do universo tem sido o tema consensual da cosmologia, à semelhança do que a evolução de Darwin tem sido para a biologia” (idem), providenciando um contexto onde estruturas simples se formam e se transformam em estruturas complexas. Mesmo no universo actual, em expansão acelerada, com galáxias a afastarem-se e outras a aproximarem-se, temos noção do assombro quando percebemos que não conseguimos ver todo o universo e que temos apenas uma janela de 14 Ga-luz, o chamado evento do horizonte cósmico, ao qual mais além não é possível ver (Lineweaver & Davis, 2005; “Observable universe”, Wikipedia). E também o assombro de descobrir que, através de cálculos, o universo visível apenas representa 4% da densidade total do universo. Onde é que pára os outros 96%? Especula-se que 22% seja composto por matéria negra (dark matter) e 74% por energia negra (dark energy), de modo a compensar os efeitos gravitacionais observados no universo (“Dark matter”, Wikipedia). Isto demonstra, o que Morin (2003) defende como o jogo dinâmico e recíproco de ordem/desordem/interacções/organização/desorganização (p.23), levando-nos a perceber que ainda temos muito que compreender do universo, o antes e o actual. Da narrativa evolutiva Estima-se que o planeta Terra tenha cerca de 4.55 Ga (4.55x109 anos) e que há cerca de 4 Ga começou a desenvolver-se a vida que irá, através da evolução, transformar-se na variedade actual. Mas o que é que se sabe da evolução? Sabemos que a vida teve origem na sopa primordial, que não é mais do que uma sequência de elementos que propiciaram a vida. Estes elementos – carbono, hidrogénio, oxigénio, nitrogénio, enxofre e fósforo –, dão origem a monómeros e depois polímeros, desenvolvendo-se em células microbiais e unicelulares. Sabemos também que o ARN está na origem do ADN de base proteica. Por volta de 3900 Ma aparece células que se assemelham a procariotas, e em 2100 Ma aparecem as primeiras células mais complexas, as eucariotas. Nesta altura (por volta de 900 Ma) a Terra tem uma rotação à volta do Sol de 481 dias com uma duração de 18 horas cada dia, desde essa altura que o planeta tem estado em desaceleração contínua. Em 542-530 Ma, dá-se a explosão cambriana, onde ocorre a maior biodiversificação de vida, até hoje não superada, conhecida pelos cientistas (Shermer, 2005; “Timeline of evolution”, Wikipedia). No entanto, esta diversidade não chegou até nós. Na verdade sabemos hoje que cerca de 99.99999% de todas as espécies que alguma vez viveram extinguiram-se (Shermer, 2005). Estes eventos de extinções em massa deram-se em cinco grandes momentos: Ordovício em 439 Ma, Devónico em 367 Ma, Pérmo em 245 Ma, Triássico em 208 Ma e o Cretássio em 65 Ma (idem).
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De todos estes eventos apenas a barata se pode considerar sortuda por ter sobrevivido a muitos deles (idem). E onde é que o homem, como espécie, se coloca nesta linha evolucionária? Desde o início da caminhada da espécie humana com o Autrolopitecus Anamensis, há cerca de 4.1 Ma, passando pelo Austrolopitecus Africanus com cerca de 3.3 Ma, é com o Homo Habilis, por volta de 2.5-2 Ma, que o domínio de ferramentas de corte feitas com pedra, que a especiação homo se desenvolve em contraponto com os primatas, culminando no Homo Sapiens há cerca de 200 ka, até à Eva mitocôndrial4 (200-150 ka), que terá dado origem a toda a vida humana actual. Porque é que o ser humano singrou na evolução? Morin (2003) responde que “[a] pobreza do equipamento físico humano, comparado com a de numerosos animais”, com “todas as insuficiências e carências (…), tornaram-se incentivos para a procura, a descoberta, a invenção” (p. 27), levando-nos a estar um passo mais além dos outros animais, particularmente de outros primatas. Tornámo-nos hiperviventes, desenvolvendo novas e criativas possibilidades de vida; metaviventes, criando novas formas de vida, psíquicas, espirituais, sociais; tornámo-nos hipermamíferos, quando desenvolvemos e extendemos certas qualidades e características dos mamíferos como a dedicação, a afectividade, a cólera e a raiva, e tornamo-nos metamamiferos “quando nos mantemos jovens ao mesmo tempo que envelhecemos” (p. 26); hipersexuados, onde a sexualidade já não é sazonal; no fundo, tornamo-nos superprimatas, transformando características dos nossos antepassados primatas, mas desenvolvendo a inteligência e curiosidade. (cf Morin, 2003, p.26). Para onde vai o Homem O ser humanos dominou a “relação em círculo entre a Natureza e a cultura” (Morin, 2003, p. 29), um círculo de causa – efeito retroactivo, desconstruindo a linearidade. Foi neste panorama que o cérebro influenciou e “constituiu” a mão, a mão a linguagem, a linguagem o espírito, o espírito a cultura e a cultura a sociedade, onde cada um destes elementos reage com o outro e todos reagem retroactivamente entre si, criando a dinâmica que permitiu “a grande descolagem da hominização rumo à humanidade” (idem, p. 30). Todavia, e como é demonstrado, este processo não estanca, continua na sua narrativa épica de evolução. Sabemos que os seres humanos estão em constante selecção; um estudo publicado recentemente da autoria do geneticista Bruce Lahn, demonstra como é que “dois genes essenciais, ligados ao tamanho do cérebro, estão sobre rápida selecção em populações por todo o globo” (Newitz, 2006). Alguns pensadores pensam mesmo que a evolução natural é muito lenta, e
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A grande avó de todos os humanos. Foi a partir do trabalho do professor Peter Forster da Universidade de Cambridge,
que através de recolhas de ADN, traçou a nossa histórica migratória nos últimos 200 ka, em direcção a um único antepassado (Shermer, 2005). Este passado comum foi descoberto por uma equipa de investigadores da Universidade da Califórnia, afirmando que seríamos descendentes de uma única mulher oriunda da África há cerca de 200 ka. Isto não significa que sejamos descendentes de uma única mulher no sentido literal, mas que a linhagem de mitocôndrias, que só é transmitido pela linhagem feminina, nos diga que foi essa a estirpe que sobreviveu até aos dias presentes (cf Shermer, 2005; “Mitochondrial Eve”, Wikipedia).
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precisa de andar mais rapidamente com a ajuda da ciência, por isso vemos investigadores de biotecnologia a tentarem reescrever o código genético. Muitos apostam no futuro da tecnologia de ponta para dar vantagem ao ser humano e mudar radicalmente o que se pensa actualmente sobre evolução em ordem a acelera-la. Este futuro pode reservar-nos, através da ciência e técnica, um Homo Super Sapiens ou ainda um Homo Superiores. Tudo através do domínio e manipulação, feita pelo ser humano, sobre a evolução “natural”. Conclusão Depois desta pequena introdução às narrativas cósmicas e evolucionárias, temos, segundo Entralgo (2002), respostas certas (algumas não muito certas ainda) a perguntas penúltimas; no entanto a pergunta última terá uma resposta incerta (pp. 225-228). Se quiséssemos responder à pergunta de Gauguin: De onde viemos? O que somos? Para onde vamos? Teríamos necessariamente de responder, tal como o Multivac/Cosmic AC, na A Última Pergunta de Asimov: “DADOS INSUFICIENTES PARA UMA RESPOSTA SIGNIFICATIVA”.
Referências Entralgo, P. L. (2002). O Que é o Homem: Evolução e Sentido da Vida. (Borges, A. & Serrão, D. & André, J. M. trad.). Lisboa: Editorial Notícias. Lineweaver, C. H. & Davis, T. M. (Março de 2005). “Misconceptions about the Big Bang”. Scientific American. Acedido em 10 de Maio de 2006: http://www.sciam.com/article.cfm?articleID=0009F0CA-C523-1213852383414B7F0147&sc=I100322 Morin, E. (2003). O Método V: A Humanidade da Humanidade: A Identidade Humana. (Martins, J. E. trad.). Mem Martins: Publicações Europa-América. Newitz, A. (10 de Abril de 2006). “Getting Evolution Up to Speed”. Wired News. Acedido em 15 de Abril de 2006, em: http://www.wired.com/news/politics/lifescience/0,706130.html?tw=rss.index. Riordan, M. & Zajc, W. A. (Maio de 2006). “The First Few Microseconds”. Scientific American. Acedido em 10 de Maio de 2006: http://www.sciam.com/article.cfm?chanID=sa006&colID=1&articleID=0009A312-037F1448-837F83414B7F014D Shermer, M. (27 de Junho de 2005). “The Woodstock of Evolution”. Scientific American. Acedido em 8 de Abril de 2006, em: http://www.sciam.com/article.cfm?articleID=0002072264FD-12BC-A0E483414B7FFE87&sc=I100322
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Veneziano, G. (Maio de 2004). “The Myth of the Beginning of Time”. Scientific American. Acedido em 28 de Maio de 2006, em: http://www.sciam.com/article.cfm?articleID=00042F0D-1A0E-108594F483414B7F0000&sc=I100322. Wright, Edward L. (2 de Julho de 2005), Age of the Universe. Acedido em 13 de Junho de 2006, em: http://www.astro.ucla.edu/~wright/age.html. “Age of the universe”, in Wikipedia. Acedido em 13 de Junho de 2006, em: http://en.wikipedia.org/wiki/Age_of_the_universe. “Mitochondrial Eve”, Wikipedia. Acedido em 14 de Junho de 2006, em: http://en.wikipedia.org/wiki/Mitochondrial_Eve. “Observable universe”, in Wikipedia. Acedido em 4 de Junho de 2006, em: http://en.wikipedia.org/wiki/Cosmic_light_horizon. “Timeline of evolution”, in Wikipedia. Acedido em 10 de Junho de 2006, em: http://en.wikipedia.org/wiki/Timeline_of_life.
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