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    A intervenção arqueológica num edifício na baixa pombalina, nas Escadinhas da Barroca, pôs a descoberto duas estruturas reconhecidas como fornos. A sua tipologia, ainda que não inédita, é muito diferente das características que... more
    A intervenção arqueológica num edifício na baixa pombalina, nas Escadinhas da Barroca, pôs a descoberto duas estruturas reconhecidas como fornos. A sua tipologia, ainda que não inédita, é muito diferente das características que
    normalmente se reconhecem nos fornos encontrados na capital, demonstrando a ausência de uma grelha ou qualquer
    outra forma de separação entre a câmara de combustão e a câmara de cozedura. Os canos em cerâmica, ali identificados, podem ter desempenhado um papel fundamental no processo de cozedura.
    Apesar de apenas alguns fragmentos em cerâmica tenham sido registados no seu interior foi identificado um conjunto
    de objectos relacionados com restos de produção na sua proximidade o que permitiu reconhecer o tipo de peças ali
    produzido. Recipientes relacionados com actividades domésticas tais como panelas, púcaros ou cântaros correspondem à maioria do que ali foi reconhecido, cujas formas e decoração permitem atribuir a produções da segunda metade
    do século XV.
    O objectivo do presente trabalho é apresentar os dois fornos identificados, debater acerca da sua utilização e o tipo
    de cerâmica encontrada e enquadrar estes achados na produção de cerâmica lisboeta dos inícios da Idade Moderna.
    O presente artigo incide sobre os testemunhos arqueológicos encontrados durante os trabalhos de escavação na Rua do Comércio nº 1 a 13, em Lisboa, ocorridos entre os anos de 2013 e 2015. O edifício localiza-se na Baixa Pombalina, mandada... more
    O presente artigo incide sobre os testemunhos arqueológicos encontrados durante os trabalhos de escavação na Rua do Comércio nº 1 a 13, em Lisboa, ocorridos entre os anos de 2013 e 2015. O edifício localiza-se na Baixa Pombalina, mandada construir após o terramoto de Lisboa de 1755. Durante o século XX teve como inquilinos diversas sociedades industriais, nomeadamente a loja/depósito das “Fábricas Triunfo”, cujo testemunho sobrevive através das suas placas publicitárias em mármore, ainda observável num dos cunhais do edifício. De acordo com A. Vieira da Silva, seria esta a localização do antigo largo do Pelourinho. Os testemunhos arqueológicos parecem confirmar esta informação, visto ter surgido uma grande área calcetada com seixo de rio de pequena e média dimensão, no interior do edifício. Foram ainda identificados os vestígios das estruturas que confinavam com o Largo do Pelourinho, sendo que uma delas poderá corresponder, de acordo com as plantas de Vieira da Silva, a remanescentes da antiga Alfândega Velha. Os materiais arqueológicos recolhidos durante a intervenção, corroboram com esta diacronia ocupacional do espaço e inserem-se essencialmente, no hiato temporal compreendido entre os séculos XIII a XVII.
    PALAVRAS-CHAVE: Largo do Pelourinho, Lisboa, Medieval, Moderno.

    ABSTRACT: This article focuses on the archaeological remains found during excavations works in Rua do Comércio nº 1 a 13, Lisbon, between the years 2013 and 2015. This building is located at Baixa Pombalina, built after the Lisbon earthquake of 1755. During the twentieth century had as tenants several industrial societies, including the store/warehouse of Fábricas Triunfo whose testimony survives through its advertising boards made in marble, still present  in one of the corners of the building itself.  According to A. Vieira da Silva, this would be the location of the old Largo do Pelourinho. The archaeological evidences seem to confirm this information, a large area paved with small and medium size river pebble, was found inside the building. There were also identified the traces of the structures that bordered the Largo do Pelourinho, one of which may correspond, according to the plans of Vieira da Silva, to the remains of the former Alfândega Velha. The archaeological materials collected during the intervention, corroborate this occupational diachronic space and are essentially part of the time gap between the XIII and the XVII centuries.
    KEy WORDS: Largo do Pelourinho, Lisbon, Medieval, Modern.
    Research Interests: